
ALFÂNDEGA DA FÉ
Alfândega da Fé está localizada no norte de Portugal, na província de Trás-os-Montes e Alto Douro no Distrito de Bragança. O gentílico de Alfândega da Fé é o alfandeguense. Alfândega tem como seu presidente, Sr. Eng.º Eduardo Tavares. A sua área é de 321,95 quilómetros quadrados e como população tem 5104 habitantes. A sua densidade populacional é de 15,9 habitantes por quilómetro quadrado. Alfândega da Fé é constituída por 12 freguesias. Este local encontra-se a 555m de altitude. A fundação de Alfândega da Fé ocorreu em 1494 tendo o seu feriado a 8 de maio. O padroeiro de Alfândega da Fé é o S. Pedro.
Guilherme Macedo, 7ºB
Lenda do Cavaleiro das Esporas Douradas
A lenda do Cavaleiro Espora Dourada teve origem durante a reconquista da Península pelos cristãos, num período de lutas frequentes entre mouros e cristãos, uma época em que a história se confunde com histórias passadas de geração em geração. A verdade ou não, explica a formação do próprio topónimo e localização do município.
Mas o casamento de dois jovens haveria de mudar o destino da população e do mouro malvado. O anúncio da união entre Teolinda, filha de D. Rodrigo Ventura de Melo e Senhor de Castro e Casimiro, filho de D. Pedro Rodrigues de Malafaia, líder dos Cavaleiros das Esporas Douradas, faz inverter o rumo dos acontecimentos.
A homenagem aos mouros enojou o povo. Naquela época, o “Cavaleiro Espora Dourada” organizou um ataque aos hereges. As pessoas dizem-nos que esse tipo de batalha não é fácil e os cristãos estão até em desvantagem. Naquele momento, a Virgem Maria apareceu a segurar o bálsamo, ressuscitando os mortos e curando os feridos. A partir daí, a luta intensificou-se e os invasores acabaram por ser expulsos dessas terras, pondo fim ao “dom da Virgem”.
No local construiu-se uma capela em homenagem a Nossa Senhora, hoje Santuário de Balsamão. O lugar de tão grande Chacina deu origem a Chacim e Alfândega, graças à bravura e valentia dos seus Cavaleiros das Esporas Douradas, e em nome da Fé cristã passou a designar-se Alfândega da Fé.

Alice Cordeiro 7ºB
Monumentos de Alfândega da Fé
Torre do Relógio
É um dos mais emblemáticos edifícios
do concelho de Alfândega da Fé, trata-se
“de um exemplo único no distrito e raro a
nível nacional de uma torre de castelo
adaptada para torre de relógio”, associada
à antiga muralha do castelo, e visível de
quase todos os pontos da sede de concelho.
Torre do relógio medieval, constituída por uma planta quadrangular de massa simples e um telhado em coruchéu piramidal com um cata-vento no topo. Os materiais utilizados na sua construção constituem uma estrutura em alvenaria de

xisto; cimento nas juntas; moldura da porta e pináculos em cantaria de granito; teto de madeira com cobertura de telha; cata-vento em ferro. Com funções militares, sofreu várias reformas na época medieval. Ela tem 3,40 metros de altura.
A cronologia de construção e a função original desta torre são questões em aberto, sendo provável que já existisse no século XVI. A sua dimensão e altura, bem como as características do terreno envolvente tornam pouco provável que se tratasse inicialmente da torre sineira de alguma igreja, mas é certo que em tempos, no seu topo, existiram aberturas que se apropriavam para albergar quatro sinos. No início do século XIX começou o seu uso como Torre do Relógio, de onde lhe vem o nome.
Atualmente ex-libris da Vila e do concelho foi recentemente restaurada, permitindo o acesso ao público, o funcionamento do relógio e a colocação, no interior, da exposição fotográfica “Quando o relógio voltou a dar horas”, do arq.º João Morgado.
Capela do Espirito Santo
Templo religioso situado no caminho
para a Igreja e Torre Sineira.
De planta longitudinal, é formada por
uma nave retangular.

Igreja Matriz
Localiza-se na primeira zona de
expansão extramuros do antigo
castelo e por isso a sua
cronologia poderá apontar para
finais do século XV, princípios
do século XVI, estando documentado no primeiro inventário em 1540, embora se saiba que a Vila já possuía igreja matriz, dedicada ao mesmo orago, São Pedro, em 1295.
Os traços arquitetónicos exteriores não evidenciam tal antiguidade, talvez porque sejam o resultado de sucessivas intervenções que foram transformando a construção inicial.

A torre sineira quadrangular já existia em 1758, mas pode não ser um elemento original.
Tem uma planta longitudinal composta de nave e capela-mor mais estreita e mais alta, com a torre sineira adossada na parte esquerda da fachada lateral, sacristia e anexo retangulares. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, a igreja com embasamento de cantaria, à exceção da fachada principal e torre sineira que é em cantaria aparente, terminadas em cornija e com cunhais coroados por pináculos piramidais sobre acrotério. A fachada principal, virada a poente, termina em empena com cunhais apilastrados e rasgada por portal de verga reta moldurada encimado por um óculo amplo.
A torre sineira, com as mesmas características, possui duas partes distintas, uma, a inferior, frontalmente rasgada por um vão retilíneo, e a segunda, em cada uma das faces por sineira em arco de volta perfeita albergando o sino.
Igreja da Misericórdia
Igreja barroca de planta longitudinal
composta por uma nave única, uma
capela-mor e um frontispício em empena
truncada por uma sineira. No interior,
destacam-se os retábulos colaterais
barrocos de estilo nacional e o retábulo-mor.

O nicho do frontispício alberga uma figura pintada de Nossa Senhora da Piedade, em calcário, datada do século XVI, admitindo-se que o edifício seja da mesma época. Não se sabe se foi originalmente construída pela Santa Casa da Misericórdia de Alfândega da Fé, mas no início do século XVIII já era propriedade sua.
Situada na zona mais antiga da Vila, ficava dentro do perímetro da antiga muralha, entretanto desaparecida, próxima de uma das portas de entrada no castelo.
A área envolvente era maior do que na atualidade e designava-se “rossio da Misericórdia”. Não se tendo encontrado vestígios da igreja matriz intramuros, uma das hipóteses que se coloca é que tenha existido no mesmo espaço, embora com
edifício diferente. Na atualidade funciona como casa mortuária.
Capela de São Sebastião
Não se conhece nenhum registo da sua
construção, mas sabe-se que no início
do século XVIII ainda era referida como ermida, por estar fora da localidade e em 1758 estava em reconstrução, admitindo-se que seja pelo menos do século XVII. Na primeira metade do século XIX chegou a ser utilizada para enterramentos.
O campanário é o elemento artístico mais relevante, mas não é

original do edifício, havendo dúvidas sobre a sua proveniência, que pode ter sido da capela da casa dos condes de S. Vicente ou a do solar de D. Manuel de Sá. Do primeiro edifício ainda existe uma parte, o segundo desapareceu completamente.
São Sebastião é o padroeiro da Vila e em sua honra se realizam as festas de verão, no segundo fim de semana de agosto. Capela de planta retangular, com frontispício rematado por um campanário barroco de um arco, ornado com colunelos pseudo-salomónicos embebidos, com decoração vegetalista.
Proposto como Valor Concelhio pelo PDM de Alfândega da Fé, DR 241 de 18 outubro 1994.
Castelo
O castelo de Alfândega é hoje uma
simples memória. Sabemos que D. Dinis
ordenou que se construísse um castelo
em Alfândega. Está explícito no Foral. Desconhece-se se o programa construtivo seria só composto pelo reduto com a cisterna no interior, ou se haveria uma muralha a circundar o burgo. Do reduto e cisterna, nada sobreviveu até aos nossos dias. A sua estrutura não seria muita elaborada. As muralhas seriam de pano simples de percurso circular envolvendo o cabeço. Após a perda da importância militar de Alfândega da Fé, o castelo, de três portas e fortes muros de pedra, foi-se degradando, e as suas pedras começaram a ser um ponto

fulcral para a edificação de moradias.
Na atualidade podemos nos dirigir a
este local, onde foi construído um
miradouro (Miradouro do Castelo) que
nos oferece belas vistas panorâmicas
sobre o concelho de Alfandega da Fé.
Portal da Casa dos Mendonça
Portal granítico maneirista, de vão reto, com ombreiras flanqueadas por duas meias colunas toscanas e encimado
por um frontão. Este é ladeado por dois pináculos nas extremidades e por uma cruz latina ao centro e ornado com
decoração central de dois círculos concêntricos em alto relevo, com quadrifólio central em baixo-relevo.

As colunas são emolduradas, da parte exterior, por volutas, motivo que remata igualmente os ângulos do frontão. o interior é austero e desprovido de decoração. Recebeu portão de duas folhas pintado a verde.
Lara Remondes 7ºB

Hoje é só uma aldeia, mas outrora eram dois dos vilares: o de baixo e o de cima. A separá-los havia mesmo um marco de granito com quanto letras esculpidas SM/DB. Lá está ainda esse marco, hoje metido numa parede de um quintal. Dizem que pelo meio dos Vilares da Vilariça passava a linha divisória entre as dioceses de Braga e de Miranda. Dizem mais que no vilar de cima habitavam os célebres cavaleiros das esporas douradas cujos feitos bélicos lendários andam intimamente ligados à Reconquista Cristã de Alfândega da Fé, Chacim, Monte de Balsamão e outros sítios da região.
Fernando e Pinto diz a lenda que eram dois dos cavaleiros. Num domingo, no regresso da missa, o Fernando e o Pinto ter-se-ão envolvido numa disputa, com o Fernando a matar o Pinto. Ao local chamam ainda hoje o Chão de Fernando e Pinto. Sítios lendários, no termo da aldeia, são também o burrado os mouros (uma gruta natural) e as fontes formosa e da Fontareja, esta muito abundante de águas, pois abastecia o povo e fazia andar três lagares de azeite.
É o azeite que faz a riqueza dos Vilares da Vilariça, destaca-se a celerada quinta da Madureira e o olival da ribeirinha.
Já em 1925 ali funcionavam seis lagares de azeite. . E
porque sempre foi muito rica, a aldeia do Vilar tem boas moradias tradicionais. De entre o património arquitetónico da aldeia, defira-se também um elegante cruzeiro erguido sobre um pedestal formado por um laço de escadas em toda a volta e duas fontes arcadas para além da igreja matriz, em estilo melácico e com cinco altares de boa talha dourada.
Cruzeiro Marco de granito
Ana Rita e Bruna Fernandes 7º B


Vilares da Vilariça
Vilares de Vilariça é uma freguesia portuguesa do município de Alfândega da Fé, com 14,92 km² de área e 216 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 14,5 hab/km².
Situada na parte superior do Vale da Vilariça, na vertente sul da Serra de Bornes, parte desta freguesia está integrada na região demarcada do Douro. A sua localização geográfica faz dela terreno extremamente fértil para a agricultura, destacando-se a produção de azeite, vinho, frutícolas e hortícolas.
Local de horizontes amplos e boa exposição solar, a povoação espraia-se pela encosta, dividindo-se mesmo em Vilares de Cima e Vilares de Baixo. Com uma urbanização em escadario é um ponto paisagístico privilegiado.
A subida até à localidade de Colmeais permite fruir de uma das mais espetaculares paisagens do Concelho.
Diogo Ferreira7º B
Barragem do Salgueiro
A barragem do Salgueiro fica localizada em Vilarelhos, no concelho de Alfândega da Fé, no distrito de Bragança. Situa-se na bacia hidrográfica do rio Douro, foi projetada em 1968 e começou a funcionar em 1970.É uma barragem de aterro, possuindo 27m de altura, 750m de comprimento e 520 000m de volume.

Reza a lenda que o último desejo do capitão Salgueiro Maia, pessoa que mandou construir a barragem, fora que os restos mortais dele fossem postos na bacia hidrográfica do Rio Douro. E o seu desejo concretizou-se.
Rodrigo velho 7º A

HISTÓRIAS HÁ MUITAS, MAS ALGUMAS A GENTE SÓ QUER ESQUECER…
Armando Manuel Couraceiro, tem 78 anos,
é natural de Alfândega da Fé. filho de
um casal com 7 filhos, foi militar na tropa
portuguesa durante 3 anos.
Em 1963 até 1966 foi combater para a Guerra do Ultramar, em Angola. Atualmente está reformado, depois de ter tido uma empresa de construção civil, e reside em Alfândega da Fé.
É casado, tem uma filha e um neto. De uma forma sucinta, a guerra de Angola corresponde ao período de confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as

Forças Armadas Portuguesas e as Forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas Províncias Ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique entre 1963 e 1974. Esta é a história de um ex-combatente da Guerra do Ultramar.
André: O que o levou a entrar na Tropa Portuguesa?
Armando: Foi a ambição de ser Paraquedista.
André: O que é que se sente quando se é chamado para combater no Ultramar?
Armando: Sente-se muita tristeza, mas ao mesmo tempo junta-se a alegria de poder ajudar os camaradas que já lá estavam e os que vão connosco.
André: Mas algum dia pensou em ir combater para a guerra?
Armando: Quando me ofereci de voluntário eu já sabia que tinha que ir para uma das colónias.
André: Ir para a guerra e pensar que podia não voltar vivo é, com certeza, um pensamento difícil e assustador. Pensou nisso muitas vezes?
Armando: Antes queria morrer do que vir mutilado sem um braço ou sem uma perna.
André: Ao chegar ao local e ver o quão diferente é Portugal, o que lhe passou pela cabeça?
Armando: O clima era demasiado quente e teria que suportar grandes problemas no mato, como o calor e a falta de água.
André: Quanto tempo no total esteve na Guerra de Angola?
Armando: Em Angola estive dois anos e em Portugal um de instrução.
André: O que é que mais lhe custou fazer enquanto esteve a combater?
Armando: O que mais custou a fazer foi fazer postos de vigia avançados que era muito aterrorizador, tínhamos que ir sozinhos fazer uma vigia longe, de noite e render o camarada.
André: No que pensava nos momentos de maior aflição?
Armando: Nos momentos de maior aflição o meu pensamento era, se eu poderia pisar numa armadilha, ser emboscado, levar tiros e ficar ferido. Dificilmente seria recuperado porque a mata é muito densa os helicópteros não entravam.
André: Há imagens que nos chocam e nos marcam para o resto da vida. Viu muita gente morrer?
Armando: Vi. Ajudei a pôr para dentro dos
helicópteros muitos pedaços de gente,
pernas e braços, inclusivamente pés
dentro das botas.
André: Como é que vivia o povo de Angola?
Armando: O povo de Angola vivia na miséria, todos esfarrapados.
André: Achou a guerra justa?
Armando: Não. Porque aquele território não era nosso e no fim acabou por se assistir à verdade.
André: Viveu ou conheceu alguém que tenha tido um problema traumático pós-guerra?

Armando: Muitos colegas que depois de saírem da tropa, na vida civil não conseguiram arranjar emprego e daí ficaram piores ainda do que estavam, houve alguns que morreram à fome os que ficaram lá.
André: Foi militar durante quanto tempo?
Armando: Fui militar durante 3 anos.
André: Quando sentiu que a guerra estava a chegar ao fim, qual foi a primeira coisa em que pensou?
Armando: A primeira coisa que eu pensei é que ficaria aliviado de um problema que eu não queria de maneira nenhuma, só não queria vir sem um braço ou sem uma perna.
André: Acha que a guerra de hoje em dia é igual à de antigamente?
Armando: Não. Antigamente eram armas muito rudimentares, na parte do inimigo, hoje já são armas muito sofisticadas
inclusivamente têm mísseis terra-ar e antiaéreas. Antigamente eram canhangulos, munições já velhas que nem rebentavam.
André: Tem alguma história que queira contar?
Armando: Tenho uma muito interessante que até dá para rir!!! Um sargento meteu uma perna num buraco de um grande vespeiro, e desmaiou logo, as vespas eram tantas e grandes que levou muitas ferroadas, eu até perdi lá um relógio. Deixei a arma e fomos a correr todos direitos ao rio porque as vespas continuavam a investir contra nós. Houve nove fuzileiros evacuados de helicóptero e os paraquedistas resistiram todos,
menos o sargento que ficou
completamente cravado de
ferroadas. Eu apanhei várias na
cabeça, mas resisti.
“Cada soldado tem uma guerra…
André Barros 7ºB

FONTE DE MERGULHO DE VILARELHOS OU FONTE DE S. JOãO
Na freguesia de vilarelhos onde eu moro,
existe uma linda fonte de mergulho que
agora já não tem serventia, só serve para
embelezar e que eu convido a visitarem.
As Fontes de mergulho ou de chafurdo
são, na sua grande parte, construídas em granito, num nível inferior ao do solo, serviam para as pessoas ir retirar a água que utilizavam nas suas habitações, submergindo vasilhas, cântaros de barro ou pechorras, como eram chamadas.
Outrora única fonte de abastecimento das populações e também dos animais, foram sendo inicialmente substituídas

por chafarizes e fontanários; com o evoluir dos tempos, chegou-se à distribuição domiciliária. Tendo perdido a sua função original, algumas destas fontes foram sendo progressivamente abandonadas, destruídas ou subterradas
A fonte de mergulho de Vilarelhos, já não é utilizada para o fim para que foi construída, mas continua em bom estado de conservação, sendo agora um monumento, que nos mostra como os nossos antepassados viviam.
Contam os mais antigos que esta tinha uma lenda. Na fonte vive uma linda moura em guarda de valiosíssimo tesouro. Um homem a quem apareceu soube-lhe falar e ela prontificou-se a dar-lhe seis vinténs diários, tanto disse bastar-lhe para seu governo sem necessidade de trabalhar, se lá fosse todos os dias ao dar da meia-noite.
Na verdade, o homem não era peco, e todos os dias, à hora aprazada, encontrava junto à fonte, debaixo de uma pedra, a luzente moeda de prata. Os vizinhos admiravam-se, porque, sendo pobre, vivia à tripa-forra sem trabalhar. Os antigos camaradas de jeira chamavam-no ao passar junto da sua porta para o serviço, mas ele dizia sempre que não ia. Por último, aborrecido com a impertinência da chamada, retorquiu escarnecedor e soberbo:
— Que não ia trabalhar,
Nem de trabalhar precisaria,
Enquanto a Fonte de Vilarelhos
Lhe desse seis vinténs por dia.

Na noite seguinte, voltou à fonte, mas a moeda não estava e nunca mais a viu.
Inácio Castilho, 7ºA
Vilar Chão
A aldeia situa-se numa zona planáltica que termina num vale apertado e profundo por onde corre o rio Sabor. A freguesia era conhecida como o "celeiro" do concelho, dada a importância que a produção de cereais (trigo e centeio) assumiu nesta localidade. Atualmente, a agricultura e a pecuária ainda constituem as principais atividades dos habitantes da freguesia. Vilar chã ficou também conhecida como um importante centro de produção de telha, pois existem
registos de uma grande quantidade de fornos destinados à produção artesanal deste material.
Em 1855, a freguesia foi integrada no concelho de Alfândega da Fé e anteriormente fez parte dos extintos concelhos de Chacim e Castro Vicente.
Fonte Nova / Fonte Limpa em Vilar Chão
Fonte de alpendre setecentista, de planta
retangular e cobertura em lajes graníticas,
com arco de volta perfeita e frontão curvo
interrompido a coroar o frontispício, onde
se pode ler a data de 1796.
Proposto como Valor Concelhio pelo PDM de Alfândega da Fé, DR 241 de 18 outubro 1994. Leticia Pereira, 7ºB

Vilar Chão uma terra de lendas….
A freguesia de Vilar Chão estende-se pelo
extremo oriente do concelho de Alfândega da Fé,
descendo de um planalto até à frescura das
águas do rio Sabor e mirando as encostas do
município vizinho de Mogadouro. A abundância
de água nestas terras permitiu que, durante séculos, Vilar Chão fosse o “celeiro” da região, dada a abundância de cereais como trigo, milho e centeio. Esta povoação terá origens seculares, visto que o Castelo da Legoinha parece ser do período de ocupação romana. Nessa zona, a descoberta de cerâmicas e de fragmentos levam os investigadores a considerar que a região era habitada já na era romana.

Os indícios apontam para um despovoamento da região no período suevo, provocado pela invasão muçulmana, tendo o repovoamento ocorrido nos séculos medievais.
Vilar Chão fez parte dos antigos concelhos de Castro Vicente (hoje uma freguesia de Mogadouro) e de Chacim (agora freguesia de Macedo de Cavaleiros), passando a integrar o município de Alfândega da Fé com a reorganização administrativa de 1855.


A lenda de Vilar Chão – Amélia de Vilar Chão
Era o ano de 1946, quando Vilar Chão, em
Alfândega da Fé, passou a ser frequentada
por muitas pessoas. Todas queriam ver
Amélia da Natividade Rodrigues Fontes,
pois dizia-se que recebia visitas da Virgem Maria. Estava entrevada desde os 16 anos e na altura pensavam que era estafilococia (lepra), mas como os médicos não acertavam na doença, o padre da freguesia, na altura Humberto Flores, aconselhou-a a implorar um milagre. Este e o seu irmão médico confirmaram que Amélia tinha sido curada pela Virgem de uma doença que lhe paralisava a perna e o braço e que a

impedia de comer, pois tinha uma ferida na boca.
Amélia da Natividade Rodrigues Fontes, uma rapariga de 22 anos estava estigmatizada com uma cruz na testa, outra nas costas e na mão esquerda. O padre sugeriu que para confirmação das suas afirmações pedisse a Nossa Senhora que lhe colocasse qualquer sinal indicativo das suas “aparições”, lê-se na edição de 14 de dezembro de 1946 de O Século Ilustrado. E a jovem apareceu, então, com uma cruz na testa. «Soube‑se depois que era feita com tintura de iodo», diz Alfredo Peixe, filho do fotógrafo oficial de Amelinha. Alfredo conviveu de perto com o fenómeno, pois através dos irmãos Flores, o padre e o médico, o pai tinha conseguido o exclusivo das fotografias da vidente. Só ele tinha autorização para fotografar a rapariga.
Em 1946, os jornais comentavam que levou mais de quarenta mil pessoas a Vilar Chão para verem o milagre do sol, que lhe tinha sido anunciado por Nossa Senhora. Estavam todas as pessoas ajoelhadas, a cantar, a rezar e a gritar “milagre, milagre”. Uns viram Nossa Senhora com o Menino ao colo, outros S. José, a Virgem e o Menino na fuga para o Egipto e até houve quem visse um soldado romano a colocar uma escada junto à cruz.


Mas, em 1951, Amélia foi internada nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Depois da observação clínica, a veracidade dos sinais que tinha no corpo foi abalada e nunca mais regressou a casa.
De Amelinha era chamada
Essa pobre menininha
Que vivia, meio entrevada
Quando 16 anos tinha,
Em 1946, foi convidada
A dizer-se de santinha
Dizendo-se assim curada
Pela mãe Virgem Maria

Essa farsa foi montada,
Pelo Padre da freguesia
E o médico, seu irmão
Assim foi feita a abjeção
De cruzes a estigmatizaram
Dizendo que foi de Jesus,
Para tal utilizavam
Tintura de iodo, em cruz
E aos milhares enganavam
Em nome da fé, que seduz.
André Barros 7º B
A lenda das três Marias
Antigamente, havia três meninas chamadas Marias. Os pais das meninas tinham rebanhos e mandavam-nas todos os dias guardá-los. Levavam uma cabacinha de vinho, uma merendinha e um baralho de cartas. As Marias juntavam- se no campo e começavam a jogar. Duas perdiam sempre e uma ganhava sempre. As duas perdedoras, tinham tanta raiva, que uma vira-se para a outra e disse:
-Vamos pegar-lhe fogo!.
E assim foi, acenderam uma fogueira e atiraram a outra Maria para o fogo, começou a arder e elas a jogar disseram:
-Olha, estás a ver? Arde e ganha.
E, então, daí resultou a nossa linda Adeganha. “Arde e gana”.
Estas duas senhoras eram as que sabiam contar melhor as histórias, mas infelizmente já faleceram.
Maria Moreira, 7ºA




Adeganha é uma aldeia antiga, freguesia portuguesa do município
de Torre de Moncorvo. Desde 2013,
faz parte da nova União de
Freguesias de Adeganha e Cardanha.
Da época romana, no Museu Municipal de Vila Flor, estão presentes três estelas funerárias desta época.
A 15 de janeiro 1201, D. Sancho I atribui carta de foral à aldeia de Junqueira.
Em 1225, D. Sancho II atribui carta de foral à vila de Santa Cruz da Vilariça, que estaria nos limites desta freguesia. Esta vila foi fundada no século XII, mas acabou por ser abandonada, e foi transferida para o local onde hoje se situa a vila de

Moncorvo.
Em 1747, Adeganha era uma freguesia do termo da vila de Alfândega da Fé, que passou para o concelho, Torre de Moncorvo, distrito de Bragança, Província de Trás-os-Montes,. Era seu donatário o Marquês de Távora, sendo o número dos seus fregueses não mais de sessenta e quatro.
A igreja paroquial estava fundada
no lugar do mesmo nome, na parte
do Nascente, constando de uma só
nave e quatro altares: O altar-mor
com o Santíssimo, e Santiago como
padroeiro da casa; o altar das Almas,

o altar de Santo António, e o altar do Menino Deus. Eram anexas desta igreja o lugar e freguesia de Gouveia, o lugar e freguesia de Cardanha, o lugar e freguesia da Vila da Honra de São Paio, o lugar e freguesia da Junqueira, os quais todos tinham párocos apresentados pelo reitor desta igreja.
Neste distrito havia nessa data as ermidas seguintes: Nossa Senhora do Rosário, São Martinho, São Ciríaco, Santo Ovídio, e Nossa Senhora do Castelo, com três altares, um de Santa Catarina e São Gens, outro do Santo Cristo Crucificado, e outro da Senhora do Castelo, famosa em milagres.
Junto a esta ermida estava também a de São João, chamada por essa causa, da Senhora do Castelo, sobre uma penha, o qual era muito milagroso, concorrendo por isso a ele muito povo, principalmente no seu dia. Os moradores desta freguesia colhiam os frutos seguintes: trigo, cevada, centeio, azeite e legumes, de tudo um pouco, menos o centeio que era o que mais abundava, constituindo o mantimento ordinário dessa gente. No limite desta freguesia havia um monte a que chamavam Castelo-Velho, povoado de arvoredo silvestre, e no mais alto dele estava muita quantidade de pedra, que parecia ser ruína de alguma antiga fortaleza, e diziam que era um castelo de mouros.
Deste monte se arrancavam boas pedras de cantaria, que eram procuradas de terras muito distantes, pela sua boa qualidade. No sítio em que então se achava a Senhora do Castelo, diziam que houvera antigamente uma grande cidade,
cujo nome se ignora, da qual ainda se descobriam parte de seus muros arruinados. No território desta freguesia criava-se algum gado de cabras e ovelhas, e nos montes achava-se muita caça de perdizes e coelhos, e tudo servia de divertimento e regalo aos seus moradores.
Tomás Fernandes, 7º B
Lenda da Nossa Senhora das Neves
Covelas- Sambade
A lenda conta que Nª. Srª. apareceu a
uma pastora sobre um castanheiro, em
agosto e só à volta desse castanheiro
é que havia neve. Ainda hoje se pode ver,
no lugar do antigo altar, um pedaço
dum tronco dum castanheiro que o povo afirma ser uma relíquia do castanheiro da aparição e foi nesse local que edificaram o Santuário em sua honra.
Fica na Capela desde o 3.º Domingo de agosto até ao 1.º Domingo de maio. Depois vai em procissão para a Igreja Matriz de Sambade, onde fica até ao 3.º Domingo de agosto
Não se sabe ao certo a sua origem, crendo-se que será

anterior ao séc. XVII. Não se sabe ao certo a sua origem, crendo-se que será anterior ao séc. XVII.
Bernardo Esteves, 7º B
A grande plantação
Nesta entrevista iremos abordar um
tema agrícola: uma plantação de
damascos. Nela iremos ficar a perceber
um pouco mais da vida de um agricultor,
as suas dificuldades e claro, os seus benefícios.
Entrevistadora: Boas, senhor João Paulo, é um enorme prazer entrevistá-lo. Gostaria de lhe colocar algumas questões sobre a sua plantação.

Sr. João Paulo: Boa tarde, é um grande prazer recebê-los no meu pomar para lhes dar a entender o funcionamento até o produto final chegar à casa das pessoas.
Entrevistadora: Vamos lá saber... Por quê uma plantação de damascos e não outra variedade de fruta?
Sr. João Paulo: Como esta região é muito favorável, através do seu microclima, para o plantio de frutos e para variar as culturas, decidi optar pelos damasqueiros, visto que nesta região o forte é a nectarina.
Entrevistadora: Qual foi o motivo da sua plantação?
Sr. João Paulo: Em primeiro lugar, eu sempre gostei do ar livre e o contacto com a natureza. Depois, estive emigrado num país, onde a plantação predominante era o damasco, mais conhecido como “damasco do Valais”. Em 2018, vim de férias ao nosso país e para meu espanto, o meu cunhado levou-me a ver a sua plantação de damasqueiros. Como não tinha conhecimento desta cultura na região do Vale da Vilariça, pedi informações adicionais a um engenheiro e foi aí que obtive as respostas pretendidas. Nesse mesmo ano, tomei a decisão de regressar para Portugal com a minha família, para começar a minha própria plantação de damasqueiros.
Entrevistadora: O seu terreno tem quantos hectares?
Sr. João Paulo: O terreno é composto por 6.75 hectares.
Entrevistadora: É enorme! Em que região se situa?
Sr. João Paulo: Sim, já é uma boa parcela. O terreno está situado no Vale da Vilariça, mais propriamente em Santa Comba da Vilariça, no concelho de Vila Flor, no distrito de Bragança.
Entrevistadora: Na Vilariça, qual é o tipo de clima e de solo?
Sr. João Paulo: Esta região é caracterizada por um clima com verões muito quentes, secos e prolongados que determinam uma vegetação e uma agricultura tipicamente mediterrânica. A estação fria é também muito marcada com geadas, sendo as estações intermédias da primavera e outono relativamente curtas em termos climáticos. Os solos são
predominantemente pouco profundos, com origem em rochas xistosas, ácidos e com baixos teores de matéria orgânica.
Entrevistadora: Como referiu anteriormente, o seu terreno tem 6.75 hectares. Como pensa em percorrê-lo de uma ponta à outra, por exemplo? Vai ter de fazer muito exercício físico!
Sr. João Paulo: Sim, é verdade e visto que é um terreno de forma retangular na parte mais extensa, terei de percorrer a pé 850m. Mas como tenho uma máquina agrícola será mais fácil e menos exaustivo.
Entrevistadora: Para quando pensa ter as árvores a produzir?
Sr. João Paulo: Bom, a maior parte da plantação estará
concluída possivelmente no final de abril, visto que surgiu um enorme imprevisto. Como toda a gente sabe, o nosso país
esteve e ainda continua confinado devido à pandemia da Covid-19. Mas para os primeiros frutos é preciso esperar 2 anos após a plantação concluída.
Entrevistadora: Já tem meios de exportação? Se sim, para onde?
Sr. João Paulo: Sim, já existem negociações com uma empresa espanhola, mas também estou a negociar com empresas portuguesas. Neste momento e como ainda não tenho damascos, e como sou eu que me ocupo do pomar do meu cunhado, é daí que existem estas negociações para a venda do
produto.
Entrevistadora: Quantos litros de água acha que vai gastar por semana ou por ano?
Sr. João Paulo: Isso é uma questão incógnita! Dependendo do ano seco ou chuvoso, a maior certeza que lhe posso facultar é que uma planta recebe 8 litros de água por semana. Visto que tenho 3800 plantas dá um total por semana de 30400 litros.
Entrevistadora: Você é protetor do ambiente? Vai utilizar produtos químicos?
Sr. João Paulo: Como todas as culturas, necessitam de químicos, mas é verdade que hoje em dia já há uma grande seleção de produtos inofensivos para a natureza. O
damasqueiro é uma árvore que não necessita de muitos tratamentos.
Entrevistadora: Por hectare, quantas árvores vai plantar?
Sr. João Paulo: Por hectare, mais coisa menos coisa, 500 árvores.
Entrevistadora: E por fim, gostaríamos de saber se gosta de uma vida de agricultor e é muito agitada?
Sr. João Paulo: Tem os seus percursos, mas sim, vivemos sempre com o “valha-me Deus” na boca, mas não podemos deixar morrer a agricultura, pois não podemos comer pedras, dinheiro ou bens materiais. Só gostava de pedir aos governantes que olhassem para a nossa agricultura que como já puderam comprovar, nós temos as melhores frutas e legumes do mundo.
Entrevistadora: Muito obrigada pela sua atenção! Quando tiver damascos venha-me trazer uma caixinha!
Sr. João Paulo: Ora essa, sou eu que agradeço a sua entrevista, pois assim divulgo mais um produto ainda um pouco desconhecido e nacional. Sem dúvida alguma, lá guardarei uma caixinha dos amarelinhos.




Maria Covas, 7º A
A Cabeça do Romano
Por vezes, existem histórias que nos passam ao lado e, na tentativa de as perceber, questionei alguém que é conhecedor de muitas das coisas que envolvem o nosso concelho, nomeadamente, a existência da cabeça de um romano.
Entrevistador - Quem é o criador da
cabeça do romano?
Entrevistada - Jorge Pé-Curto nasceu em 1955, em Moura. Vive em Almada desde 1965. Começou a frequentar, desde os dez anos de idade, o Centro Artístico Infantil, no Castelo de S. Jorge, de que era mentor o pintor Hermano Baptista. Mais tarde cursou escultura na Escola António Arroio como

bolseiro da Fundação Gulbenkian. Em 1981, juntamente com outros artistas, fundou em Almada, a IMARGEM, projeto que, entretanto, viria a abandonar. Foi professor do ensino oficial durante 17 anos. Como artista plástico Jorge Pé-Curto desenvolveu atividade na cerâmica, pintura, cartaz e gravura, mas seria na escultura, nomeadamente na pedra, que viria a centrar o seu trabalho. Coletivamente, Jorge Pé-Curto participou desde 1972 em diversas exposições em galerias, instituições várias, espaços comerciais e mostras escultóricas ao ar livre. Desde 1984 expõe individualmente. Da sua autoria são diversos monumentos, situados em várias regiões do país.
Entrevistador - Porque é que construíram a estátua?
Entrevistada - A estátua foi feita em homenagem a um soldado romano que por ali lutou.
Entrevistador - Sabe em que ano a estátua foi feita?
Entrevistada – Em 2004.
Entrevistador- Qual é a história?
Entrevistada - A história conta que um soldado romano, durante uma luta contra guerreiros Cartagineses, teve a sua cabeça cortada pela sua própria espada.
Entrevistador - Onde fica situada?
Entrevistada - A estátua situa-se em Alfândega da Fé, mais precisamente no Parque Verde como se pode ver
na imagem.
Entrevistador - Quais foram os materiais
usados?
Entrevistada - O único material usado foi
granito cinza meio azulado.
Entrevistador - Qual o peso dela?
Entrevistada - Não se sabe ao certo, mas dizem que pesa 1 tonelada.
Entrevistador – Obrigada
pelas suas informações.
Marco Dias, 7º A


Villaritia
Esta entrevista vai ser feita ao empresário agrícola, Eduardo Tavares, de 45 anos, de Alfândega da Fé. Eduardo Tavares exerce atividade agrícola há 17 anos e a sua exploração agrícola localiza-se no Vale da Vilariça, Trás-os-Montes, Portugal. Tem dedicado a sua atividade à produção de azeite, citrinos, pêssego e vinha. Neste momento o seu grande desafio é criar uma marca de azeite de excelência para nichos de mercado.
Entrevistador - Como surgiu a ideia do nome Vallaritia?
Eduardo Tavares (empresário) - A ideia do nome da marca Vallaritia surgiu por vários motivos, em primeiro lugar pela localização da exploração agrícola que se situa no Vale da
Vilariça. Outro aspeto importante tem a ver com a ancestralidade da cultura e da própria agricultura no Vale da Vilariça, depois entendemos fazer também a ligação entre a ancestralidade e genuidade do produto, neste caso do azeite da Vilariça. Desta forma, decidimos fazer uma pesquisa bibliográfica do Vale da Vilariça para sabermos mais sobre a sua história e ocupação humana. Deste trabalho resultou o nome Vallaritia, como sendo o nome mais antigo do Vale da Vilariça, que remonta aos tempos da ocupação romana na península ibérica.
Entrevistador- Já entendemos que pretende oferecer um azeite de excecional qualidade, fale-nos um pouco sobre ele.
Eduardo Tavares - O azeite que pretendemos produzir é tipicamente transmontano, exclusivo de variedades da região, de olivais tradicionais e com a máxima preocupação da qualidade da azeitona, desde a colheita até à transformação. Queremos produzir azeites autênticos com as seguintes características: verde, amargo, frutado e picante.
Entrevistador- Senhor Eduardo Tavares, o que o levou a querer criar uma marca de azeite?
Eduardo Tavares - Por ser um amante do azeite transmontano e das suas características e, por querer oferecer um produto diferenciado apostei num produto com um novo packaging, e um produto de excecional qualidade.
Entrevistador- Acha que vai ser bem-sucedido nessa criação e na venda do seu produto no mercado?
Eduardo Tavares - Sem dúvida, existe um mercado emergente na procura de azeite de qualidade e este produto foi pensado para responder a essas necessidades. É nossa expectativa exportar toda a nossa produção para o norte da Europa e para nichos de mercado nacionais de alta qualidade.
Entrevistador - Senhor Eduardo Tavares, muito obrigado por esta entrevista agradabilíssima e também por este esclarecimento.
Eduardo Tavares - Eu é que agradeço pela oportunidade que me dão para falar sobre o meu trabalho e, também para promover a minha marca e este excelente produto
transmontano.
Tomás Tavares, 7ºA
Entrevista a uma avó
- Qual era a base da alimentação da sua família e da população local há 60 anos?
R: A alimentação era simples e humilde. As pessoas alimentavam-se à base dos produtos da terra, de acordo com a época do ano. Cultivavam um pouco de tudo: batatas, favas, pimentos, ervilhas, feijão, couve, repolhos. Normalmente era pão, azeitonas, sardinhas, alguma carne de porco, sopa de legumes frescos ou secos, arroz e batata. Doces e carne de vaca ou de aves só em dias de festa.
Também era comum comerem-se ovos mexidos. A última refeição era quase sempre os restos do almoço. As pessoas nunca deitavam comida fora.
- Como era o vestuário na época?
R: O vestuário era feito à base de linho
e de lã. Os bebés usavam vestidos,
utilizando fraldas de tecido, os rapazes
vestiam calças ou calções com camisas
ou camisolas mais quentes. Não havia sapatos para todos os dias, por isso, às vezes andavam descalços. As raparigas vestiam um vestido. Os homens usavam calças de cotim, camisas de pano, boné ou chapéu.

- As condições de habitação eram boas? Como era a casa onde habitava?
R: As casas eram baixas e caiadas de branco. De um modo geral, os interiores eram simples e modestos. A casa onde habitava na altura era modesta, só com rés-do-chão, com o teto revestido de canas por debaixo das telhas e com poucas janelas (e as existentes eram muito pequenas). Era uma forma de evitar o calor no Verão e o frio no Inverno.

- Como ocupava os tempos livres? Que diversões existiam?
R: Os divertimentos estavam relacionados com as festas religiosas e com os trabalhos agrícolas (apanha do grão, ceifas) que eram muitas vezes, acompanhados por cantares ao desafio e os trabalhos domésticos (cuidar da casa e lavar a roupa, nos tanques ou no rio). Durante as festas do santo padroeiro de cada povoação faziam-se procissões, romarias, feiras e o povo divertia-se com bailes e jogos típicos da região. As crianças divertiam-se com brinquedos que elas próprias construíam. No Carnaval havia uma festa popular. Era festejado com brincadeiras, como atirar uns aos outros pó de arroz, farinha e água. As crianças vestiam-se com fatos que as próprias mães faziam. As mulheres nos
seus tempos livres, conversavam sentadas às portas que davam para a rua ou então a fazer costura, bordar e a fazer rendas. Os homens ocupavam o seu tempo livre sentados na rua, ora junto à porta da sua casa, ora num canto da rua. Os rapazes e as raparigas tinham as suas próprias brincadeiras conforme as suas idades.
- Quais eram os trabalhos existentes na época? Que profissões ocupavam?
R: As principais atividades das pessoas no campo eram a criação do gado e a agricultura. Muitos camponeses trabalhavam em terras que não lhes pertenciam, jornaleiros (trabalhavam à jorna, ou seja, ao dia), criados ou assalariados. A vida dos camponeses era muito difícil,
trabalhavam desde o nascer até ao pôr do sol. As longas tarefas que se sucediam ao longo do ano eram: a sementeira; a ceifa; a vindima; a extração da cortiça; a apanha da azeitona e guardar rebanhos.


- Foi à escola? Até que ano?
R: Fui à escola até à 3ª classe e depois fui trabalhar. Havia escolas distintas para rapazes e raparigas. O uso diário da bata branca era obrigatório. As carteiras eram um banco corrido para duas alunas, os tampos levantavam-se para colocar a pasta no interior. Na parte mais elevada (horizontal), já que o tampo era levemente inclinado, havia ao centro o tinteiro de porcelana branco e de cada um dos lados, uma reentrância na madeira para colocar caneta, lápis e lápis de pedra. O transporte do material escolar fazia-se em malas de cartão.



Na primeira classe havia caderno de duas linhas para treinar a caligrafia. Lembro-me que alguns alunos iam para a escola descalços, chovesse ou fizesse sol e alguns dos que se apresentavam calçados, quando chegavam a casa, descalçavam os sapatos para não os estragar, indo brincar de pé ao léu, mesmo jogando à bola.
- Com que idade começou a trabalhar?
R: Comecei a trabalhar com 11 anos e ganhava 10 tostões por dia. No meu tempo, após a 4ª classe, que nem todas conseguiam fazer, poucas raparigas continuavam os estudos, a maioria ficava por casa, onde aprendia as tarefas caseiras com a mãe, a quem ajudava na limpeza da casa, varrer, lavar (roupa, chão e louça), caiar, passar a ferro, cozinhar, bordar,
costurar, etc… As outras, aos onze, doze anos, procuravam aprender um “ofício”, no meu caso foi o de costureira de
costurar, etc… As outras, aos onze, doze anos, procuravam aprender um “ofício”, no meu caso foi o de costureira de homem, num alfaiate.
- Como eram os namoricos no seu tempo?
R: O interesse de um rapaz por uma rapariga era demonstrado primeiramente pela “corte” que consistia em ter os olhos nela o máximo de tempo possível, olhá-la, admirá-la, segui-la... Nessa altura, dizia-se que fulano andava atrás de fulana e elas diziam que fulano lhe fazia a corte. Quando a corte era aceite e o namoro do agrado de ambas as famílias, e isto não podia acontecer em pouco tempo, o rapaz era
convidado pela moça a ir pedir ao pai dela autorização para que o namoro se “oficializasse”. Já se sabia da resposta
afirmativa, mas sempre dada com algumas restrições. O namoro era feito à janela com dias e horas marcadas que tinham de ser cumpridas. Nada de passeios juntos. No meu caso, namorava às 3ª e 6ª feiras. Competia à mãe fazer a companhia. Também se aproveitavam os bailes que se realizavam nas sociedades locais. Só quando se falava em casamento, o rapaz começava a entrar em casa dos futuros sogros, deixando de namorar à janela.
- Com que idade conheceu o avô? Quantos anos namoraram?
R: Comecei a namorar com o avô com 16 anos e namorámos
10 anos.
- Como foi o casamento? Houve festa? Quantos convidados?
R: Não me lembro quantos convidados eram, mas eram alguns! A festa foi em casa do noivo. No meu tempo, as pessoas deslocavam-se a pé da casa dos noivos para a igreja e, depois dessa cerimónia, iam também a pé da igreja para o local onde era servida a boda. O meu bolo de noiva foi um bonito bolo de massa, feito em casa pelas boleiras, que prepararam também todos os restantes bolos, o borrego guisado, a canja de galinha, o arroz-doce e mais coisas. Eu fui a noiva mais bonita do ano!
Rafael Sousa, 7.º A
“Estória” da Barragem de Camba.
A Barragem de Camba localiza-se na
minha aldeia que é Gebelim, concelho
de Alfândega da Fé. Situa-se na Ribeira de Camba, e na Bacia Hidrográfica do Rio Douro. Esta barragem foi projetada em 1985 e entrou em funcionamento em 1993. Foi requalificada recentemente porque as condutas de abastecimento do regadio foram-se degradando, dando origem a perdas de água significativas.
Atualmente beneficia 320 hectares de terrenos agrícolas e mais de 150 agricultores, nas localidades de Agrobom, Vale Pereiro, Saldonha, Legoinha, Vilar Chão e Sendim da Ribeira.
Gabriela Neto, 7.º A

GLOSSÁRIO - Inglês
Agricultura - agriculture
Alto Douro - High Douro
Aparição - apparition
Armazenamento - Storage capacities
Arquitetónicos - architectural
Azeite- olivel oil
Azeitona - olive
Barragem – dam
Bebés - babies
Capacidade de descarga máxima - Maximum discharge capacity
Capela - chapel
Cartas – cards
casa - house
Casamento - wedding
Castanheiro - chestnut
Castelo - castle
Cavaleiros - Knights
Celeiro - barn
Centeio - rye
Cereais - cereals
Cima - up
Citrinos - citrus
colectivamente- Collectively
Colheita - harvest
Concelho- county
Conselhos - advices
Construção - Construction
construir - Built
Correr - Run
criar - Create
Culturas- cultures
Descer - down
Densidade populacional - Population density
Distantes - distant
Distrito: - district
Dois - two
Dominar - dominate
Domingo - Sunday
Donatário - grantee
Donzela - maiden
Elas – they
Empresário - Businessman
Energia - energy
Entrevista - interview
Época - era
Escadas - stairs
Exploração agrícola - farm
Exportação- export
Família - family
Feriado - Holiday
Fogo – fire
Fontes - sources
foto - Picture
Freguesia - parish
Função - Occupation
Guardar – save
Habitantes - population
Humano - Human
Igreja - church
Igreja matriz - mather church
Jogar – play
Jogos - games
Legumes - vegetables
Limites - limits
Linda - beautiful
Localizada - Locate
Localidade - location
Localizado - Localized
Matar - kill
Matriz - headquarters
Medieval - gothic
Meninas – girls
Mercado - marketplace
Milagroso - miraculous
Milho - corn
Monte - mount
Mouros - Moorish
Muralhas - walls
Museu - museum
Neve- snow
Norte:- North
Olivais - olive groves
Outra – other
Padroeiro - patron
Pais – parents
Paroquial - parish
Participar - Participate
Pastor - shepherd
Pecuária - livestock
Pessoas - people
Picante - spicy
Planta retangular - rectangular plante
Plantação- plantation
Plantas- plants
Presidente - President
Produção artesanal - artisan production
Província: - Province
Rebanhos – flock
Região - region
Relíquia - relic
Responsável - Responsible
Rica - rich
Verde - green
Vinha - vine
GLOSSÁRIO - Francês
Água - eau
Amargo - amer
Ambiente - environnement
Autentica - authentique
Azeite - huile d' olive
Azeite de excelência - huile d’ èxcellence
Azeitona - olive
Cartas – lettres
Citrinos - agrumes
Colheita -récolte
Elas – elles
Empresário - Entrepreneur
Entrevista - entrevue
Exploração agrícola - ferme
Exportação - exportatio
Fogo – feu
Frutado - fruité
Guardar – garder
Hectare - hectare
Linda - belle
Jogar – jouer
Meninas – filles
Mercado - marché
Olivais - oliveraies
Outra – autre
Pais – parents
Picante - épicé
Plantação - plantation
Plantas - plantes
Químicos - chimiques
Rebanhos – troupeau
Vinha - vigne
CONCLUSÃO
Além disso, é importante conhecer a nossa terra, para a valorizarmos e preservarmos, pois tudo isto faz parte da nossa identidade e ajuda a fazer-nos crescer enquanto pessoas.

- < BEGINNING
- END >
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